Trago do ambiente familiar e da própria cidade em que nasci a forte influência que me gerou interesse e curiosidade artística. Ao mudar-me para Recife mais profundamente envolvi-me com arte. Sou um artista de formação intuitiva e não acadêmica, aprendi ouvindo, nunca me formei em uma escola ou faculdade de música. O conhecimento musical que tenho hoje, adquiri com a prática, intuitivamente. Fui usando o talento que a natureza me deu e procurando aperfeiçoá-lo com minha sensibilidade e intuição. Os meus maiores aliados sempre foram o ouvido, a emoção e a voz. Foi juntando os três que fui construindo o meu percurso como cantor. Em Recife, durante os anos de Universidade, comecei a relizar trabalhos como fotógrafo e a me envolver com dança, música e teatro amador. Reacendia-se a chama do sonho de infância. Ao mesmo tempo em que a chama voltava a queimar, havia dificuldades financeiras que me impeliam para o trabalho, para ganhar a sobrevivência e me impediam de dedicar-me à música, ao estudo formal da música. Não me percebia com habilidade para instrumentos musicais, o que eu queria era cantar. E isso eu podia exercitar a todo momento sem a necessidade de interromper outros afazeres.
 
  Passei a "estudar canto" comigo mesmo e ao mesmo tempo com todos os artistas cujos discos me caiam nas mãos e cujos shows eu tinha oportunidade de assistir. Além disso eu estava vivendo em uma cidade onde sons e ritmos preenchiam o ar. Maracatu, frevo, coco, ciranda, forró, xaxado, baião, repentistas, cantadores, violeiros, entre tantos outros sons, que eu ia sorvendo avidamente. Comecei a dar meus primeiros passos como cantor. Uma festa aqui, um barzinho ali, um amigo que tocava violão e eu alugava numa noitada pelos lados de Olinda. O sonho de ser cantor profissional ainda era uma fantasia inacessível. Mudei pra São Paulo, comecei a estudar canto com Ná Ozzetti, por quem fui encaminhado, posteriormente, para a professora e cantora lírica Claudia Mocchi. Ambas me deram o veredito que eu esperava: você tem potencial para cantar, deve investir. Passei a acompanhar avidamente - ouvindo, assistindo, lendo - toda a movimentação musical que acontecia na cidade, adicionando elementos a minha formação.
Paralelamente aos estudos de canto, comecei a cantar na noite. Um boteco aqui, uma canja ali, uma substituição acolá, o coro de um espetáculo musical (PULUMELU - A Criação do Mundo), a participação em um grupo de canto e dança folclórica (Gupo Abaçai), a participação em shows de amigos (Cida Lima e Beijo de Língua), as primeiras apresentações solo ao lado de uma amigo músico (Renato Santoro), a gravação de um CD-demo, com canções do repertório que eu cantava na noite (produzido pelo maestro Rodrigo Vitta), foram me possibilitando passar da fantasia inacessível para o sonho de possível realização. O início da parceria com o músico, arranjador e produtor musical Swami Jr., trouxe-me a perspectiva de construção de um repertório próprio, de definição de um caminho, de uma linguagem musical que me possibilitasse passar a fazer parte,
 
  de forma mais concreta, do "mundo musical" e buscar meu próprio espaço. Surgiu o pré-projeto do disco, um CD demo com três músicas arranjado e produzido por Swami Jr. e que se configurou como o embrião do meu primeiro disco RECIPIENTE. E eis que o sonho, a fantasia inacessível, torna-se realidade num RECIPIENTE que contém toda uma história de vida, relações, percursos, encontros e desencontros musicais.  
i n t r o
p e r c u r s o
CD
f o t o s
r e l e a s e
a g e n d a
c o n t a t o s
  informativo
  compromisso