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Estado
do Ceará. Sou o primeiro de quatro filhos homens e apesar de não haver
nascido em uma família de músicos, vivi sempre rodeado de música "por
todos os lados". Minha mãe, Terezinha, paraibana, cantora amadora,
foi a primeira voz humana cantada que conheci e de quem herdei o gosto
pela música, o amor à vida e às pessoas. Vive sempre cantando. Quando
alegre para ficar mais alegre, quando triste para espantar a tristeza
e quando nem alegre nem triste, só pelo prazer de cantar. Não perde
a oportunidade de mostrar a voz e se tivesse tido possibilidade teria
se tornado cantora profissional. Com ela conheci as canções de Dalva
de Oliveira, Ângela Maria, Maisa, entre tantas outras. Ainda hoje
quando sinto saudades de casa e penso em minha mãe fico imaginando
em que lugar da casa ela estará, como sempre, cantarolando uma canção.
Ouço uma canção e a saudade ameniza. Meu pai, Edmilson, cearense,
motorista profissional, foi o primeiro homem honrado e trabalhador
que conheci e com quem aprendi o sentido das palavras trabalho, caráter
e honestidade. Pai amoroso, carinhoso e protetor. Adora Luiz Gonzaga,
Jackson do Pandeiro, Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Marinês, entre
outros. Ainda hoje, quando sinto saudades de |
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casa e penso em meu pai, lembro que com ele aprendi a gostar de dançar
ao som do rádio, na sala de casa. Um "pé de valsa" que me ensinou
os primeiros passos de dança de salão. Danço um coco do Jackson e
a saudade se esvai. Além desse clima familiar musical, lá fora na
rua, os sons característicos da cidade estavam sempre presentes a
chamar-me a atenção. Os carros de romeiros com suas cantigas de louvação,
as rezadeiras, os cantadores de viola, a banda cabaçal, o reizado
com suas espadas, as lapinhas e suas pastorinhas, os repentistas,
os benditos, a catirina, o bumba-meu-boi, foram os sons que, associados
aos que ouvia no aconchego familiar, me faziam sonhar com música,
respirar música, dormir com música e acordar com música. As minhas
maiores paixões eram a escola, os livros e a música. Muito cedo ganhei
de minha mãe um toca-discos portátil, para ouvir - às vezes solitário
às vezes com amigos - meus discos prediletos, e um gravador portátil
com o qual fazia as minhas primeiras e tímidas experiências como cantor.
Com um microfone em punho gravava, tendo ao fundo o som vindo do toca-discos
portátil, minhas interpretações para as canções de que mais gostava.
O sonho de ser cantor era somente uma fantasia inacessível até então.
Os meus primeiros anos escolares foram vividos no Ginásio Batista
do Cariri de onde me transferi para fazer o colegial no Colégio Salesiano
São João Bosco, ambos em Juazeiro do Norte. Depois me mudei para Recife,
onde concluí o colegial, no Colégio Salesiano Sagrado Coração, e cursei
Administração de Empresas, na Universidade Federal de Pernambuco.
Em São Paulo, fiz Psicologia na Universidade São Marcos e cursei o
Mestrado em Psicologia Social na PUC que não cheguei a concluir. Trabalhei
como bancário e psicólogo clínico, enquanto paralelamente cantava
na noite e estudava canto. |
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